Shima
O chawan ocupa um lugar à parte na história da cerâmica japonesa: nem escultura, nem simples recipiente, mas algo entre os dois. Moldado pela estética do chado, o caminho do chá, nada nele é ao acaso: cada proporção tem uma intenção. A largura está pensada para o chasen, a altura para guardar o calor e o peso para duas mãos em repouso.
Esta taça foi feita no Japão por volta de 1950 e mostra o lado mais discreto da cerâmica da era Showa, a meio do século. Faixas horizontais castanho-escuras circundam o corpo num ritmo contido e regular — um motivo com raízes nas tradições clássicas do yakimono, em que a decoração nunca foi um fim em si. O vidrado é sóbrio e quente: um tom de terra que ganha profundidade junto ao matcha batido.
Na base, a assinatura do oleiro — a marca de autoria individual num ofício em que o anonimato já foi a regra. A peça foi encontrada no mercado de antiguidades de Osu, em Nagoya, um dos destinos mais respeitados do Japão para quem leva a cerâmica a sério e procura loiça antiga.
O interior guarda uma ligeira pátina de uso: pequenas manchas que não falam de descuido, mas de uma taça que cumpriu bem a sua função. Na linguagem do chado, essa história faz parte do valor do objeto.
Detalhes
- Tipo — Chawan para matcha / taça para a cerimónia do chá
- Origem — Japão (mercado de antiguidades de Osu, Nagoya)
- Período — Por volta de 1950, era Showa
- Material — Cerâmica / yakimono
- Vidrado e decoração — Padrão de riscas horizontais castanho-escuras
- Assinatura — Marca do oleiro escrita à mão, na base
- Dimensões — 10,7 cm × 8 cm (diâmetro × altura)
- Peso — 261 g
- Estado — Bom. Pequenas manchas no interior; desgaste próprio da idade em toda a peça