Oribe
Entre os estilos clássicos da cerâmica japonesa para chá, o Oribe-yaki ocupa um lugar à parte: rompeu de forma decisiva com a simetria austera da estética do chá que o antecedeu. Deve o nome ao mestre de chá Furuta Oribe, discípulo de Sen no Rikyu e um dos árbitros mais influentes do chado no final do século XVI. As suas marcas — formas assimétricas, gestos ousados de vidrado verde de cobre sobre barro branco ou bege, zonas de rusticidade deliberada — foram lidas na época como uma provocação e contam-se hoje entre as expressões mais reconhecidas da arte cerâmica japonesa.
Este chawan, feito por volta de 1930, é um herdeiro fiel dessa tradição. A forma é kutsugata — literalmente «em forma de tamanco» —, uma silhueta irregular, apertada de propósito, que recusa o círculo perfeito. A superfície tem a paleta típica do Oribe, verde, bege e castanho quente, num vidrado que corre livremente pelo corpo e assenta de maneira diferente em cada plano: não há duas faces iguais nesta taça.
A peça foi comprada num leilão em Tajimi, na prefeitura de Gifu, sede histórica da cerâmica de Mino, em cuja tradição de fornos nasceu o próprio Oribe-yaki: pertence ao estilo pela forma e pela origem. Com perto de cem anos, é a peça mais antiga desta coleção. A idade está em cada detalhe: na ligeira irregularidade do anel do pé, na suavidade do vidrado, na autoridade serena de um objeto que sobreviveu a quase tudo o que se fez ao seu lado.
Detalhes
- Tipo — Chawan para matcha / taça para a cerimónia do chá
- Origem — Japão (leilão de antiguidades, Tajimi, prefeitura de Gifu — região histórica da cerâmica de Mino)
- Período — Por volta de 1930, da era Taisho ao início da era Showa
- Material — Cerâmica / Oribe-yaki (cerâmica de Mino)
- Vidrado e decoração — Vidrado Oribe verde, bege e castanho; forma apertada kutsugata (em forma de tamanco)
- Assinatura — Não indicada
- Dimensões — 11 cm × 6,5 cm (diâmetro × altura)
- Peso — 250 g
- Estado — Bom, tendo em conta a idade. Desgaste natural e pátina próprios do uso de uma peça vintage