Kasumi
Tajimi, na prefeitura de Gifu, é sinónimo de cerâmica japonesa há mais de quatro séculos. É o coração da cerâmica de Mino — uma tradição que deu ao mundo do chá algumas das suas formas de taça mais célebres, do austero shino ao oribe de cozedura dramática. Uma peça comprada num leilão desta cidade traz consigo, em silêncio, essa linhagem.
Feito por volta de 1970, este chawan é um estudo de contenção levado ao limite. O vidrado castanho-escuro, a roçar o negro, é quebrado por salpicos verdes e escorrimentos lentos na vertical — efeitos que nascem do movimento do vidrado ao fundir no forno, irrepetíveis e próprios desta taça. A superfície canelada e granulosa dá à taça uma presença tátil, que pede para ser segurada e não apenas observada; larga e baixa, assenta com solidez e naturalidade.
Na base, uma marca carimbada identifica o oleiro. Esse pormenor inscreve a peça na tradição da cerâmica de autor assinada, em que o autor e a peça continuam ligados ao longo das décadas.
O vidrado mostra o desgaste honesto da idade. Sem restauro, sem intervenção: a peça está tal como saiu das mãos do seu último dono.
Detalhes
- Tipo — Chawan para matcha / taça para a cerimónia do chá
- Origem — Japão (leilão de antiguidades, Tajimi, prefeitura de Gifu — região histórica da cerâmica de Mino)
- Período — Por volta de 1970, era Showa
- Material — Cerâmica / yakimono
- Vidrado e decoração — Castanho-negro com salpicos verdes e vidrado escorrido; superfície canelada
- Assinatura — Marca do oleiro carimbada na base
- Dimensões — 12,5 cm × 7 cm (diâmetro × altura)
- Peso — 252 g
- Estado — Bom, tendo em conta a idade. Pátina natural e desgaste próprio da idade em toda a peça